CÁRCERE E COTIDIANO
Vivências de homens indígenas em Estabelecimento Penal do Cone Sul de Mato Grosso do Sul (2011-2025)
DOUGLAS CARVALHO DE FARIA
MONIQUE FRANCIELLE CASTILHO VARGAS
A obra busca compreender as experiências de homens indígenas no sistema prisional a partir do conceito de escrevivência de Conceição Evaristo, mostrando que a escrita e a memória funcionam como formas efetivas de resistências e reexistências no cárcere. O estudo utiliza relatos de vivências, coletados no caderno de campo e entrevistas orais, evidenciando que o racismo estrutural e a ausência de políticas públicas adequadas, tornam o ambiente prisional ainda mais excludente para homens indígenas. As práticas cotidianas de música, afeto e religiosidades são apresentadas como essenciais para a manutenção da saúde mental e, da dignidade dentro da prisão. O texto demonstra que o regime semiaberto se mostra inviável para muitos indígenas, já que exige o retorno diário ao presídio, sem considerar a distância das Comunidades Indígenas, além das condições socioeconômicas desses apenados, fator que contribuí para altos índices de evasão e reincidência. A análise elaborada, interpreta que a ressocialização plena não ocorre, pois o Estado impõe condições impossíveis de serem cumpridas e ignora as especificidades culturais e sociais desses detentos. O tratamento uniforme destinado a todos os apenados, aprofunda desigualdades e impede a real reintegração social. A pesquisa apresenta a necessidade urgente de políticas prisionais humanizadas, sensíveis à pluralidade dos sujeitos, como forma de garantir dignidade e oportunidades reais de ressocialização para os homens indígenas encarcerados.